29/07/2009

Será que é Mágica ???

Alguém consegue explicar por que o Encontro Paulista de Águas de Lindóia mexe tanto com a gente ? Se todos os anos ele é realizado no mês de abril, porque já no mês de maio nós ficamos loucos para que o “próximo” venha logo ? Alguém sabe por que ?


E já que o ponto de interrogação prevaleceu no parágrafo anterior, então imagine rodar 3.029km para participar deste encontro, o pessoal de Teresina (Piauí) não resistiu e repetiu a façanha de 2008, porém, este ano a viagem foi de DKW 1966, Aero-Willys 1966 e (pasmem!!!) um Chevrolet 1930. A chegada da caravana foi tão entusiasmada que fez parecer que o caminho da viagem tinha apenas 30km !!!! E ninguém tinha menos que 50 anos !!! Como isso acontece ? Será o “vírus Lindóia” ?
Se o ditado “de médico e de louco todo mundo tem um pouco” fosse adaptado aos antigomobilistas, ele seria “de mecânico e de louco todo mundo tem um pouco”. Sem ficar atrás da galera do Piauí, os aventureiros cearenses Felipe Studart e o “quase oitentão” Ib Carvalho, saíram de Fortaleza em uma Chevrolet C-10 para percorrer 2.831km até o encontro paulista. Para quem imagine a cansativa distância, sequer melhoraria de humor ou descobrir que a dupla dinâmica ainda errou o caminho percorrendo mais uns 250km., ou seja, bateram também a marca dos 3.000km e ainda assim chegaram buzinando como se fosse o triunfo mais bem sucedido do planeta !!! Como isso acontece ? Será loucura ? Mais um caso para tratamento psicológico ? Ou aventuras assim servem realmente como um “tratamento psicológico”. Vai saber !!!!
Se o Encontro Paulista é tão bom assim, então tente imaginar a seguinte situação: você é um daqueles que esta louco para ir visitar o encontro de Lindóia, mas não pode ficar mais que um dia, precisa fazer um “bate e volta”. Consegue uma carona (viva !!), acorda de madrugada e, com mais dois amigos, chega as 8:30h na exposição. Mal pisa no gramado da Praça Adhemar de Barros e alguém te encontra: “Você que é a pessoa que entende de Fordinho ? Precisamos desesperadamente de você!!!”. Na praça, um Ford A 1929 apresentou sérios problemas mecânicos e nosso felizardo põe a mão na massa, desmonta, relaciona as peças, sobe no mercado de pulgas, traz as peças, ajeita, regula, acerta, coloca motor no ponto (descobriu que estava fora do ponto), funciona o motor com apenas uma vela (uau ?????), limpa o suor do rosto, testa novamente, corre atrás de ferramenta... e quando tudo estava pronto e o Fordinho em estado invejável... já era 15h, quase hora de ir embora para casa e pouco tempo sobrara para ver a tão sonhada exposição. O dono do fordinho, sensibilizado, pergunta: “Me salvou ! Quanto é o seu serviço ?” A resposta: “Serviço ? Isso foi favor !”, e arremata: “Eu não sou mecânico, eu sou pedreiro!, apenas tenho um fordinho e gosto de mexer neles”.


Se acharem que acabou, enganaram-se, o proprietário do carro não aceitou o “Não” como resposta e colocou um “dinheiro dobrado” no bolso do salvador da pátria, o dinheiro foi devolvido sob a frase: “doe para a igreja, será mais bem aproveitado”. Quase como um pagamento de promessa, a doação fez render uma viagem do proprietário do fordinho até a cidade de Aparecida do Norte para agradecer a boa vontade do “pedreiro” Aníbal “Formiga”, da cidade paulista de Franca, que perdeu o único dia que tinha para passear pelo Encontro Paulista de Águas de Lindóia, para consertar um veículo antigo. Esse é o efeito Lindóia, é como mágica, não para explicar como isso acontece. Lindóia faz bem pra alma e como dia o poeta português Fernando Pessoa, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.



1 comentários:

ZP PARRA disse...

essa é a mágica que envolve os verdadeiros apaixonados por carros antigos, o formiga é nota 10 nesse quesito.